A Câmara de Vereadores recebeu, nesta segunda-feira (28), projeto de lei do prefeito Dr. Kosmos Nicolaou, que denomina como “Ga Kósin Ag” o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) dentro da reserva Kaingangue de Palmas. O nome da instituição, que na tradução significa “Os Filhos da Terra”, foi definido pela Secretaria de Educação, em comum acordo com a liderança dos indígenas.


“O nome do CMEI foi definido pelos indígenas”, destacou a secretária de Educação, Professora Joseana Nicolaou. Que concluiu: “Nossa preocupação é oferecer uma educação com qualidade e de maneira bastante democrática, decidir os rumos da unidade na reserva de forma conjunta”.


O CMEI da área indígena já está em funcionamento em período integral com seis estagiários, três professores, uma cozinheira e um profissional de serviços gerais. O horário de funcionamento é das 7h30 às 17h30. O atendimento inclui três turmas - berçário, maternal 1 e maternal 2.


Professora Joseana lembra que a decisão pelo nome do CMEI aconteceu no dia 10 de maio, durante reunião com lideranças da reserva Kaingangue. "Uma sociedade deve ter como base a educação para crescer cada vez mais. Este é mais um projeto que irá ajudar no desenvolvimento do nosso município", frisou a secretária.


Na ocasião, o Cacique Claudiomiro André ressaltou a atitude da administração em chamar a comunidade para discutir estas questões. Segundo ele, principalmente pelo fato de dar a oportunidade dos indígenas de definir o nome da instituição.


A responsável pelos CMEIs de Palmas, Flavia Tomé Jovanese, disse que a implantação da unidade representa uma grande conquista. "Este fato representa um enorme benefício, tendo em vista a necessidade da comunidade. As mães agora já tem onde deixar seus filhos”, concluiu.


História
O projeto de lei enviado à Câmara tem em anexo um histórico sobre o nome do CMEI, escrito pelo professor Claudecir Kójónh Viri. Ga Kósin Ag (Os Filhos da Terra) tem como base a identificação cultural, práticas culturais, linguísticas, religiosas e sociais dos indígenas kaingangues de Palmas.


“São indivíduos que partilham entre si os mesmos símbolos e valores tradicionais do seu povo. A história e cultura da nossa comunidade indígena é tratada nas diferentes perspectivas, valorizando saberes do passado, do presente e respeitosamente construindo saberes culturais para as futuras gerações”, anota o professor.


Os kaingangues, segundo Kójónh Viri, desde o nascimento aprendem a conviver em harmonia com a natureza, desfrutando aquilo que a terra oferece. “É na terra que produzimos alimentos básicos para o nosso sustento e é onde também que começa a nossa organização política”, diz.


O projeto de lei precisa passar pela análise das comissões permanentes antes de ir a votação no Plenário da Câmara de Vereadores de Palmas.